Vivemos, no Brasil, tempos confusos, servidos no vetusto prato da sofística contemporânea, que apresenta o Real como Espetáculo. O palco da mídia digital é o pano de fundo em que se expõe a nossa precariedade existencial, cuja única preocupação consiste em ganhar, em segundos, milhões de curtidas. Já não interessa à irrequieta plateia dos internautas, a paciente análise de conceitos, encontrados nas páginas dos grandes escritores. O click do momento é sobre o logotipo que resume a preferência da plateia digital. O nosso direito, por exemplo, perdeu o rumo da busca da justiça pela opção em prol do “direito achado na rua”, aquela fórmula passageira que justifica a conquista do momento. O Direito, na sabedoria dos antigos, se consolidou na permanência dos Mitos fundadores da sociabilidade humana, que foram cultivados nas épocas passadas pelos Mitos da busca da Justiça, tornados poesia nas grandes obras dos Homeros, dos Virgilios, dos Camões, que deitaram o pano de fundo grandioso sobre o qual se desenhavam os fatos humanos, à luz da sapiência inacessível das divindades. O Direito, hoje em dia, converteu-se em pragmática fórmula parida pela imaginação sôfrega de novidades, no leito de Procusto da justificativa das nossas veleidades.