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O PENSAMENTO BRASILEIRO, AS PERSPECTIVAS FILOSÓFICAS E OS SEUS REPTOS

Uma breve reflexão sobre a Filosofia em geral e acerca do Pensamento Brasileiro em particular.

Desenvolverei dois pontos: em primeiro lugar, as formas da criação filosófica. Em segundo lugar: como ocorre o pensamento brasileiro no contexto das formas da criação filosófica.

I – As formas da criação filosófica

Três formas de criação filosófica se consagraram na Filosofia Ocidental: Formulação de Perspectivas, Construção de Sistemas e Discussão de Problemas.

A formulação de Perspectivas correspondeu à identificação de pontos de vista últimos acerca do conhecimento.

Surgiram, ao longo dos 2.500 anos da nossa caminhada filosófica, no Ocidente, a partir da Grécia, duas Perspectivas Gnoseológicas:

1) A realista ou transcendente (que parte do pressuposto de que apreendemos, pelo conhecimento, a essência da realidade). Esta perspectiva foi formulada por Platão (428-347AC), sendo que a primeira sistematização correu por conta de Aristóteles (384-322AC) e pelos seus discípulos medievais, entre os que se destaca Santo Tomás de Aquino (1225-1274).

2) A crítica ou transcendental (que parte do pressuposto de que somente temos acesso à representação da realidade apreendida pela experiência). Esta perspectiva foi formulada por David Hume (1711-1766), ao ensejo do desenvolvimento da ciência moderna da natureza, tendo sido sistematizada por Immanuel Kant (1724-1804) na sua Crítica da Razão Pura (1785) e por Georg Friedrich Hegel (1770-1831) na sua Fenomenologia do Espírito (1807).

A construção de Sistemas correspondeu à organização lógica da meditação filosófica ao redor do seu ponto de vista último. A sistematização do ponto de vista realista ou transcendente foi efetivada por Aristóteles, na Antiguidade, e por São Tomás de Aquino na Idade Média. A sistematização do ponto de vista crítico ou transcendental foi realizada por Kant e Hegel, nas obras deles mencionadas acima. Cabe anotar, também, a sistematização realizada, do ângulo da perspectiva realista, por Georg Wilhelm Leibniz (1646-1716), que correspondeu ao maior tratado sistemático de metafísica da modernidade.

A discussão de Problemas ocorreu, na modernidade, a partir da formulação da Filosofia como problema, por parte de Nicolai Hartmann (1882-1950), de nacionalidade germano-báltica, que retomou a problemática ontológica formulada por Aristóteles, ao se debruçar sobre os aspectos problemáticos do homem em sociedade. Também contribuiu para esta abordagem o filósofo italiano Rodolfo Mondolfo (1877-1976), ao aprofundar acerca das exigências epistemológicas da História da Filosofia, tematizadas na contemporaneidade por pensadores independentes como Antônio Paim, Roberto Damatta, Arno Wehling, etc.

II – Como ocorre o Pensamento Brasileiro no contexto das formas da criação filosófica.

Os dois maiores vultos da meditação filosófica do século XX, Miguel Reale (1910-2006) e Antônio Paim (1927-2021), elaboraram as suas reflexões sistemáticas acerca da dimensão problemática de Hartmann e Mondolfo, tendo repassado para a Corrente Culturalista, por eles fundada, a característica da Filosofia como Discussão de Problemas ontognosiológicos, sendo que a problemática moral emerge também como um dos pontos essenciais da meditação contemporânea no Brasil.

Indico, a seguir, a obra em que aparecem desenvolvidos, em profundidade, os aspectos tratados: a grande fonte é o livro de Antônio Paim, intitulado: História das Idéias Filosóficas no Brasil (sexta edição organizada por Antônio Roberto Batista), Campinas: Távola Editorial, 2020, (659 páginas).